TRAGÉDIA
O ATAQUE DA TIGRESA

O Diário Popular
Carolina Oliveira
26-12-03

O auxiliar de serviços gerais do Big Circo Mundial em Aparecida de Goiânia, Júnior Ferreira da Silva, 28, foi atacado ontem às 8h30 por uma tigresa da espécie Real de Bengala. O rapaz, que no momento estava alcoolizado, resolveu colocar o braço dentro da jaula do animal, que mordeu seu braço direito.

Funcionários do circo socorreram Júnior e acionaram o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), que o levou para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde passou por uma cirurgia.

O secretário do Big Circo Mundial, Marcos Oliveira, conta que o animal mordeu o antebraço e o bíceps do braço direito do rapaz. "Ele teve muita sorte, pois estes animais são desunhados. Se tivessem unhas, teriam arrancado seu braço."

O advogado do circo, Adair Oliveira de Souza, explica que, por volta da 1h30, Júnior chegou bêbado no circo e deitou no picadeiro. "Ele bebeu muito. De manhã, resolveu deitar em sua cama. Como o tempo estava abafado, as lonas do circo foram levantadas, e os animais ficaram expostos ao público, que se aglomerou na cerca que protege o circo", conta.

Neste momento, Júnior acordou, viu o movimento e, como ainda estava sob efeito alcoólico, resolveu ir até a jaula do casal de tigres. "O bicheiro - que limpa e vigia as jaulas dos animais - estava perto dos tigres quando ele se aproximou e resolveu fazer exibicionismo para o público, colocando o braço dentro da jaula. E se deu mal."

No momento do acidente, o auxiliar foi socorrido pelo bicheiro e por um artista do circo. "Ele foi alisar o tigre, que o atacou. Todos os funcionários são orientados a não chegar perto dos animais, não brincar ou alimentá-los, pois só durante a apresentação, no picadeiro, eles querem brincar", diz Marcos.

Ele frisa que todos os animais são ensinados. "Os tigres são acostumados com o público, não há perigo de ataque. O animal viu o ato de Júnior como uma ameaça, pois está acostumado somente com o domador."

Marcos afirma que nunca aconteceu esse tipo de acidente no circo, o qual existe há cinco anos. "É a primeira vez que acontece isso."

 

FUNCIONÁRIO DE CIRCO É ATACADO POR TIGRESA
Jornal O Popular
26-12-03
Segundo testemunhas, Júnio Silva estaria embriagado quando aproximou-se da jaula onde estava casal de tigres. Ele sofreu lesões no ombro e no braço e foi operado
Maria José Silva

Uma brincadeira que teria sido praticada num momento de embriaguez causou ferimentos graves em Júnio Ferreira da Silva, de 28 anos, funcionário do Big Circo Mundial, instalado atualmente em um lote na Avenida Independência, Cidade Livre, em Aparecida de Goiânia. Na manhã de ontem, ele foi atacado por uma tigresa do circo quando passava a mão no abdome do animal. Júnio sofreu lesões no ombro e braço e antebraço direitos e foi submetido a uma cirurgia para reconstituição dos movimentos. Durante a noite, o estado de saúde dele era regular.

O acidente aconteceu por volta das 8h30, momentos depois de o rapaz ter chegado ao circo. A tigresa estava dentro de uma jaula na companhia de um tigre, nos fundos do picadeiro. O secretário-geral do circo, Marcos Oliveira, disse que Júnio Ferreira estava embriagado e dirigiu-se ao local logo depois de ter chegado. Ele teria se aproximado da jaula e colocado a mão direita no compartimento reservado à colocação de alimentos. Ao ter o corpo tocado pela mão do operário, a tigresa o atacou.

O animal puxou a mão de Júnio Silva e, em seguida, o braço. Desesperado, o rapaz gritou por socorro. O tratador do casal de tigres e outro funcionário do circo puxaram o operário, impedindo que a lesão fosse ainda mais grave. "Por pouco ele não teve o braço arrancado", assinalou Marcos Oliveira, acrescentando que esse foi o primeiro acidente dessa natureza desde a fundação do circo, há 15 anos. O casal de tigres, de origem africana, é dócil, conforme o secretário. Apesar disso, ele repara que Júnio Silva teve sorte em não ter sido atacado também pelo tigre macho.

Júnio Silva foi levado em uma unidade de resgate do Corpo de Bombeiros para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). A cirurgia reparadora foi coordenada pelo ortopedista e microcirurgião Sérgio Lima, um dos médicos responsáveis por reimplante de membros no Hugo. O diretor-técnico do hospital, Cicílio Alves de Moraes, informou que o acidente causou uma extensa lesão muscular no operário.

Apesar de não ter sofrido fratura óssea, Júnio Silva perdeu parte dos músculos do ombro, braço e antebraço. A cirurgia realizada ontem teve o objetivo de promover parte da recuperação. O rapaz, de acordo com o diretor-técnico, terá de ser submetido a novo procedimento cirúrgico.

Júnio Silva trabalha no Big Circo Mundial há apenas um mês. Marcos Oliveira informou que ele foi contratado porque já havia trabalhado na mesma função em outros circos. Além do casal de tigres, os responsáveis pelo circo criam cavalos, pôneis e cachorros. Todos esses animais participam das apresentações com os artistas. O Big Circo Mundial veio para Goiânia há cerca de um ano. Conforme Marcos Oliveira, o objetivo dos responsáveis pelo estabelecimento é levar brincadeiras e cultura a crianças carentes, a preços populares.

Só na capital o circo foi instalado em 15 bairros, a maioria periféricos. O Big Circo Mundial estreou na Cidade Livre no dia de Natal, algumas horas antes do acidente. O advogado Odair Oliveira de Souza garantiu que os responsáveis vão dar a assistência necessária ao funcionário. Informou ainda que nos próximosdias será realizada uma reunião com o intuito de orientar mais uma vez os empregados quanto à aproximação da jaula onde estão os animais ferozes.

 

FILHOTE DE LEÃO É DOADO PARA UNIÃO PROTETORA DE ANIMAIS
Fonte: Lista DA-Defesa dos Animais
22 - 12- 03

A filhote Nala, de três meses e meio, foi levada na sexta-feira da casa onde estava, em Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo, para se juntar a outros animais selvagens, inclusive de sua raça, no Santuário Rancho dos Gnomos em Cotia. Nala é uma leoa que foi entregue à União Protetora dos Animais (UPA) por um morador de Campinas. Ela foi transportada em uma viatura da Polícia Florestal. O diretor da UPA, Feliciano Nahimy Filho, manteve em sigilo a identidade do doador, alegando que está investigando a origem da leoazinha.

O dono do bicho disse que trabalhou em um circo e a ganhou de presente. "Mas acho que ela deve ser filhote de um casal que pode estar sendo criado irregularmente. Não podemos acusar o dono porque ele nos entregou a leoazinha voluntariamente", disse. De acordo com Nahimy Filho, o abandono e procriação de leões no Brasil tem sido um problema por falta de locais adequados para acomodar a espécie. "Há o projeto de repatriação à África, mas não se trata de repatriação, já que os animais são brasileiros. Existem muitas fazendas de caça africanas para onde esses animais podem acabar sendo levados", disse.

Os filhotes de leão de até dois meses são explorados para produção de fotografias e exposições, conforme o diretor. "A partir dessa idade eles se começam a dar trabalho", disse.

 

ÚLTIMO URSO DE CIRCO NO REINO UNIDO VAI PARA SANTUÁRIO NO CANADÁ
FOTOS DE FRED: www.wspa.ca/fred.html (Fonte: WSPA Brasil)

22 - 12 - 03

Fred, um Urso Negro Americano de 12 anos de idade, nascido em cativeiro e que tem sido mantido nos últimos anos num pequeno recinto próximo a um velho trailer de circo foi finalmente, depois de muitos esforços pelo escritório da WSPA em Londres, liberado por seu proprietário Jeffrey Mackie, ex-dono do Circo King.

Fred está sendo levado para o santuário "Bear With Us" em Sprucedale, Canadá. O transporte de London para Toronto é generosa cortesia da British Airways. "Estamos muito felizes em participarmos deste resgate" diz Silia Smith, Diretora do escritório da WSPA no Canadá. "O dono de Fred finalmente tendo percebido seu erro, deu a ele seu melhor presente de Natal.

Libertado de uma vida de miséria em circo, Fred vai viver o resto de sua vida num ambiente próximo ao natural. Estou ansiosa por ver sua soltura amanhã. Parece que o Natal chegou mais cedo". O escritório da WSPA em Toronto vai patrocinar a manutenção de Fred pelo resto de sua vida. "Fred terá um pequenolago para se banhar, árvores para subir, rochas e toras de madeira para brincar, e contato com outros ursos" disse o administrador do santuário Mike McIntosh. "Já que não podemos devolvê-lo à natureza (Fred nasceu em cativeiro) vamos dar o melhor que pudermos".

McIntosh, um experiente reabilitador de vida silvestre, licenciado pelo Ministério de Recursos Naturais, pessoalmente já reabilitou e soltou mais de 200 filhotes de ursos órfãos, e translocou dezenas de ursos desde que fundou o Bear With US em 1992. Seu santuário, no centro de Ontario, tem sido o lar de muitos residentes permanentes nos últimos anos, a maioria, como Fred, resgatados de circos.

 

BLUMENAU PROÍBE ANIMAIS NOS ESPETÁCULOS
Publicado em: 05/12/2003 20:54, por Josi Tromm

Blumenau - A cidade do Médio Vale do Itajaí é a primeira de Santa Catarina a proibir a exibição de animais selvagens, domésticos, nativos ou exóticos em espetáculos circenses. O projeto de lei 4.140, que prevê a proibição, foi aprovado por 13 votos a seis na Câmara de Vereadores na sessão de quinta-feira e deve ser sancionada pelo prefeito Décio Lima nos próximos 15 dias.

Os únicos estados que proibem a exibição de animais nos circos são os de Pernambuco e Rio de Janeiro, além da capital gaúcha, Porto Alegre, e agora Blumenau. "O blumenauense sempre primou pela natureza preservada. Nunca fez parte da nossa cultura, maltratar os animais", disse o autor do projeto vereador Célio Dias (PPS). Só serão permitidas a utilização de animais em rodeios, exposições, feiras, desfiles e outros eventos, desde que sejam respeitadas as características naturais de cada espécie. (A Notícia)

DÚVIDAS SOBRE ZOOLÓGICO ATRASAM "REPATRIAÇÃO" DE LEÕES PARA ÁFRICA
Mariana Viveiros
da Folha de S.Paulo 16-11-03

Primeiro eles entraram no Brasil, provavelmente vindos da África, sem autorização nem controle dos órgãos públicos nacionais.

Depois trabalharam em circos, deram crias "brasileiras", foram, em sua maioria, maltratados e, finalmente, abandonados à própria sorte. O governo brasileiro, com outros problemas sobre os quais se preocupar, resolveu "repatriá-los": mandá-los para um zoológico particular na África do Sul.

Estava tudo certo para o embarque amanhã, mas havia uma pedra no meio do caminho. Ou melhor, dúvidas levantadas pelo governo sul-africano a respeito do local que seria a nova casa deles.

Agora os 20 leões sem teto que iriam embora do Brasil devem ficar no país por tempo indefinido, até que o equivalente ao Ibama (órgão ambiental federal brasileiro) da África do Sul se convença das razões pelas quais o Animal and Reptile Park Zoo, de Pablo Urban, em Johannesburgo, quer mais leões e de que o local tem condições de infra-estrutura para receber os animais brasileiros.

Em documento oficial, ao qual a Folha teve acesso, o Departamento da Agricultura, Conservação, Ambiente e Terra diz não "estar claro" por que Urban quer importar leões se tem um "zoológico pequeno" já com uma série de animais, inclusive dois leões.

O departamento diz ainda que não vê como a chegada de mais leões iria acrescentar algo em relação ao principal objetivo de um zoológico, a educação. E, como esses animais não estão ameaçados na África do Sul, o órgão sustenta que os dois leões existentes no parque já são o suficiente.

Enquanto o governo sul-africano não autorizar o zoológico a receber os leões, eles não podem deixar o Brasil porque a transação é regulada pela Cites (Conferência sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora), da qual os dois países são signatários. Levar animais de um país a outro sem consentimento de ambos é considerado tráfico.

Entidades de proteção aos animais temem que os animais estejam indo, na verdade, para fazendas de caça "enlatada" (canned hunting), onde são presas fáceis para caçadores que pagam fortunas por um troféu na parede, afirma Elizabeth Mac Gregor, representante da WSPA (sigla em inglês para Sociedade Mundial de Proteção aos Animais) no Brasil.

"O Ibama poderia usar os R$ 30 mil que vai gastar exportando esses animais para melhorar as condições de refúgios já existentes no Brasil, de forma que os leões ficassem por aqui mesmo", sugere.

"O poder público transferir dinheiro para entidades de caráter privado é juridicamente muito complicado", diz Rômulo Mello, diretor de fauna e recursos pesqueiros do Ibama. Ele diz considerar as questões colocadas pelo governo sul-africano como normais e diz estar tranquilo quanto à escolha do zoológico. "Se parar meia dúvida formal de que o local é adequado, os animais não vão."

Enquanto isso, parte dos leões continua em refúgios e parte em zoológicos e unidades do Ibama, aguardando o desfecho da novela.

 

PESO PESADO FOGE DO CIRCO
fonte: Jornal Agora - SP
12/11/03
Elefanta escapa e dá rolê

BAMBI, DO CIRCO STANKOVICH, MUDOU O ROTEIRO DA CAMINHADA DIÁRIA E PROVOCOU CONFUSÃO E CURIOSIDADE NA REGIÃO DA RADIAL

Todos os dias, às 7h, Bambi faz a sua caminhada matinal. Ontem, porém, resolveu mudar o trajeto. Não seria nada demais se Bambi não fosse uma elefanta e se ela não tivesse resolvido passear justo pela rua Uriel Gaspar, quase na esquina com a avenida Alcântara Machado, a Radial Leste, no Tatuapé (zona leste).

Geralmente, Bambi dá suas voltinhas por uma área cercada dentro do circo Stankovich, observada de perto pelo seu tratador, Cláudio Alejandro, 41. Ontem, ele foi tomar café e não percebeu que o portão lateral do circo estava aberto.

Bambi aproveitou e saiu para o estacionamento do local. Segundo o tratador, a elefanta "estava de olho" em uma amoreira que fica do outro lado da cerca. Até ela chegar à árvore e traçar algumas amoras em questão de segundos, teve, porém, que passar próximo à esquina da Radial. A curiosidade dos motoristas provocou um princípio de congestionamento no sentindo centro-bairro. Logo, os bombeiros chegaram -provavelmente acionados por policiais que passaram por lá. Mas não houve problemas. O passeio durou pouco:em 20 minutos, Bambi voltou para o circo, levada por Alejandro.

Segundo o dono do estabelecimento, Antônio Stankovich, Bambi tem 35 anos, pesa quatro toneladas e é mansa. "Ela adora passear", explica. Há quatro anos, conta ele, o circo estava em Marília (444 km de SP) e Bambi foi caminhar em um canavial. Só parou em um sítio. "A dona da casa se assustou quando viu a tromba entrando pela janela." (Luciane Scarazzati)

 

ELEFANTA PARA TRÂNSITO NA RADIAL LESTE
http://radiobandeirantes.com.br/index.htm
11/11 07h39
Por Paula Marinho


Uma elefanta do circo Stancovich, localizado próximo ao Shopping Tatuapé, na zona leste da capital, fugiu no início desta manhã e seguiu pela Avenida Radial Leste, na direção do centro.

O trânsito ficou complicado na região, segundo a CET, mas logo o animal foi recapturado por policiais do Corpo de Bombeiros e reconduzido ao circo.

Os donos do estabelecimento não foram localizados para falar do assunto.

 

MORRE MADÚ, ELEFANTE FÊMEA DO CIRCO DI NÁPOLI
Ela vivia cercada por uma cerca com eletricidade, mas no laudo diz
que ela foi morta por um raio.
Será?

Clique na foto e saiba mais

Madú, do Circo Di Nápoli


TEM ELEFANTE?
NÃO TEM,NÃO, SENHOR

Nem ursos, tigres ou leões. Pressionados por ONGs, circos aposentam seus animais
http://veja.abril.com.br/vejasp/291003/bichos.html
Revista Veja, 29-10-03
Alessandro DuarteMario Rodrigues

Há três anos, a principal atração do Circo Di Napoli era a elefanta "Madu". Com quase 3 toneladas, ela sentava-se em um banquinho, chutava bola, levantava as patas e ameaçava pisotear a cabeça de seu domador. O público gostava. Mas, para algumas organizações não governamentais de defesa dos animais, o show não era nada divertido. Sucessivas denúncias de maus-tratos no adestramento fizeram com que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) levasse Madu para um refúgio ecológico em Itatiba. Após recuperar na Justiça a guarda da elefanta, o circo desistiu de exibi-la em seu picadeiro e despachou-a para o parque Beto Carrero World, em Santa Catarina, onde ela morreu alguns meses mais tarde. Outros catorze bichos, como chimpanzés, dromedários, ursos e tigres, foram doados a parques e zoológicos. Hoje, o Di Napoli apresenta apenas malabaristas, bailarinas, contorcionistas e palhaços, além de cachorrinhos da raça poodle que fazem um número de bicicleta. Animais selvagens foram excluídos do espetáculo. "Cansei de ser perseguido por entidades que não entendem nosso trabalho", afirma o proprietário Beto Pinheiro.Fotos Mario RodriguesContorcionismo no Circo Spacial: mulher borracha Di Napoli: desde 2000 sem animais

Como o Di Napoli, diversos circos na cidade deixaram de trabalhar com animais. No Spacial, que já contou com um elefante, o globo da morte e mulheres erguidas pelos cabelos a uma altura de 15 metros são as principais atrações. Ginastas que participaram de competições internacionais viraram chamariz do Circo Estatal de Cuba, que há duas semanas iniciou uma temporada em São Paulo. Entre os números mais impressionantes estão as acrobacias em torno de uma barra vertical e a imitação de boneca por uma contorcionista. "Em muitas cidades a entrada de circos com bichos é proibida", diz German Munõz Puentes, diretor da companhia. "Por isso, eles estão cada vez mais raros." Alguns circos ainda mantêm a tradição, indiferentes às campanhas das ONGs. "Sempre cuidamos dos animais com

carinho", afirma Marlon Stankowich, do Circo Stankowich, que reúne cavalos, ursos, camelos, lhamas, elefante e três tigres siberianos recém-nascidos. "Aqui eles vivem melhor que na selva."

PARA ONDE ELES VÃO
Luiz Aureliano

Roberto LoffelAlém de tirar os bichos dos circos, uma das maiores preocupações de entidades como a União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) é onde colocá-los. Por passarem boa parte da vida em cativeiro, eles dificilmente conseguem voltar a seu habitat. "Muitos têm presas e garras arrancadas", afirma Vanice Teixeira Orlandi, assessora jurídica da Uipa. Sobram os zoológicos e os refúgios ecológicos mantidos por ONGs, como o Rancho dos Gnomos, em Cotia, que cuida de nove leões. "Nossa atuação é restrita, pois não contamos com nenhum apoio do poder público e sobrevivemos apenas de doações", diz a diretora Silvia Pompeu.

CIRCOS ALEMÃES PODEM SER PROIBIDOS DE TER ANIMAIS SELVAGENS
Fonte Ag.Estado - 15jul2003

Berlim - Os circos alemães vão deixar de ter ursos, macacos, elefantes e provavelmente outros animais selvagens, se for aprovada uma proposta de lei apresentada pelo estado de Hessen no Bundesrat (Conselho Federal). O ministro do Ambiente de Hessen, Wilhelm Dietzel, justificou a iniciativa afirmando que não é possível ter animais selvagens nos circos respeitando as características de cada uma das espécies.

"Os animais passam a maior parte da sua vida encurralados em transportes, o que lhes provoca perturbações no comportamento, doenças e em muitos casos até a morte", disse o político democrata- cristão. A iniciativa deverá culminar numa lei nacional que proíba a posse e a manutenção de animais selvagens em condições desumanas.

O governo regional de Hessen quer também que seja criado um registo nacional de circos, para ser mais fácil fiscalizar o respeito pelas leis alemãs de proteção aos animais.

TRATADOR É O ÚNICO QUE CONSEGUE ACALMAR
A ELEFANTA KOALA NO ZÔ
Jornal O Globo - 01/05/03

Há 40 anos no Zoológico, o tratador Djalma de Amorim é o responsável pela fêmea Koala, um elefante asiático de quatro toneladas. Temperamental, Koala, de 39 anos, foi entregue ao Zôo porque não obedecia aos comandos dos tratadores do Circo Garcia, onde atuava. Djalma foi o único que se aventurou a enfrentá-la.

— No início era estranho, mas nos acostumamos e a convivência já dura 15 anos. Estou preparando substitutos, mas quando ela tem ataques só eu mesmo para acalmá-la, na base de muito carinho.

 

TIGRE DO CIRCO GARCIA VAI PARA PARQUE DE AMERICANA
Popular de Campinas, 28.4.2003

Felino de uma sub-espécie em extinção ganha jaula de 650 metros quadrados e dois dormitórios; próximo passo será a companhia de uma fêmea.

Aos poucos, a precária situação dos animais desamparados pelo fim do Circo Garcia vai melhorando. Pelo menos no caso de um tigre siberiano, novas condições estruturais vão garantir, senão a perfeição da vida livre em seu habitat natural, um recinto especial com 650 metros quadrados, dois dormitórios e quem sabe, dentro em breve, até uma companheira. A iniciativa é da Prefeitura de Americana, em parceria com duas empresas, que depois de receber o felino, angariou recursos e construiu o "Recinto do Tigre", inaugurado sábado para visitação pública, no Parque Ecológico Cid Almeida Franco, em Americana.

O tigre é um macho da sub-espécie Panthera Tigris Altaica, tem 9 anos de idade e havia sido doado ao Parque no final de 2001, durante o fechamento do Circo Garcia. O animal é de uma das espécies mais ameaçadas de extinção, contando apenas com cerca 350 indivíduos no mundo, apesar da possibilidade de reprodução em cativeiro. No início do século, a espécie a Panthera Tigris contava até com 100 mil indivíduos espalhados por três continentes. A beleza do felino e a possibilidade de aproveitar desde o seu bigode até rabo para decoração, alimentação, troféus de caça e amuletos, no entanto, reduziu a população mundial para os atuais 5 mil exemplares.

Segundo João Carlos Tancredi, diretor do Parque Ecológico, foram investidos R$100 mil para a construção de um espaço ideal para abrigar o animal. "Sem dúvida este tigre, que vivia em jaulas de circo, nunca teve tanto espaço para fazer exercícios", garante Tancredi. A estrutura à disposição do tigre conta ainda com uma equipe de biólogos, veterinários e engenheiros agrônomos, responsáveis pela alimentação com 5 kg de músculo e pescoço de frango seis vezes por semana, e acompanhamento médico para combate a doenças.

Mas, talvez, o que possa agradar mais o tigre, batizado entre outros nomes de "Fofão", "Guloso", "Pacato", "Taigra" e "Tiagro", seja a vinda de uma companheira. O diretor do Parque informa que já estão sendo feitos contatos com outros parques e zoológicos, que também possuem indivíduos da sub-espécie, para trazer uma fêmea definitivamente ao recinto.

Fascínio

Os visitantes que passam pelo Parque agora têm a oportunidade de ver de perto o animal de 250 quilos e quase 3 metros de comprimento (contando a cauda). A novidade já despertou o fascínio de quem acompanhou os movimentos e a exuberância do felino. "É mágico observá-lo tanto pelas cores como pela sua forma majestosa", definiu o técnico ambiental, Josmar Miranda. Segundo ele, o espaço reservado ao tigre é suficiente para uma boa qualidade de vida.

 

DOIS LEÕES FOGEM DE CIRCO EM MOSCOU APÓS MATAREM O DOMADOR
Reuters
11h22 - 27/04/2003

Moscou, 27 Abr (Lusa) - Dois leões escaparam hoje de um circo a Norte de Moscou, depois de terem morto o seu domador, revelou a polícia.

Uma das feras já foi abatida, mas a outra continua em fuga.

Os dois leões do Circo de Sergueiev Possad, a cerca de cinquenta quilómetros a Norte de Moscou, atacaram o domador, ao início da manhã, quando ele entrou na jaula para os alimentar, noticiou a Agência Interfax, citando a polícia.

Cerca de cinquenta policiais foram enviados para o local e abateram uma das feras em luta com o domador, mas o homem acabou por morrer devido aos ferimentos.

A polícia pediu reforços para tentar capturar o segundo animal, que continuava rondando o circo, mas tal não aconteceu até agora.

 

UMA POLÊMICA ANIMAL
Correio de Gravataí, 18 de abril de 2.003
por Marcos Sosa, estudante.

A utilização de animais em apresentações circenses tem sido um tema bastante debatido nos últimos anos. A Câmara de Vereadores de Araraquara, São Paulo, trouxe novamente à tona o assunto este abril último, a partir de votação de Projeto de Lei. São Leopoldo e Porto Alegre são exemplos de cidades gaúchas em que é proibida a utilização de animais em circos. No Estado do Rio de Janeiro, idem. A Lei é recente, é verdade, mas sinalizam uma polêmica importante e que tem de ser feita. Afinal, a sociedade brasileira (e, por que não dizer, apesar de tamanha e quase absurda generalidade, a humanidade como um todo) precisa abandonar a idéia ingênua de que os animais estão numa boa ao participarem dos"espetáculos". Além de ser uma idéia ingênua, é também uma idéia favorável a um utilitarismo perverso e de difícil aceitação em qualquer sociedade que se pretenda avançada - ou que, minimamente, queira um pouco de progresso (moral e material), paz, desenvolvimento humano, justiça.

Algumas questões importantes e sempre colocadas na mesa quando da ocasião de um debate desta ordem são: 1) a forma como os animais aprendem a ser uma gracinha; 2) o seu transporte e hospedagem, pois os circos são estruturas itinerantes; e 3) os riscos inerentes às apresentações, aos "treinamentos", hospedagens, transporte, vez que os animais são selvagens (leia-se, vivem naturalmente na selva) e, muitos deles, carnívoros.Pois muito bem, vejamos os ítens...

1) Os animais não aprendem a ser uma gracinha. Quem aprende alguma coisa, em sentido pleno, são os animais humanos - eu e você. Os animais não humanos reagem por condicionamentos. E, é claro, "aprendem", caso você considere tarefas tais como o gatinho fazer xixi ali ou acolá, o cachorrinho sentar ou até mesmo em outras mais complexas como a busca de um odor - a exemplo das buscas e investigações policiais. Note-se que nestes casos o animal "aprende" e "faz" alguma coisa já previamente integrante de seu hábito comportamental, o que é completamente diferente do caso de animais de circo. Estes pobres têm de ir justamente contra seus hábitos comportamentais. Em alguns casos, contra sua própria estrutura anatômica. Ou seja, para que um tigre pule por aros de fogo ou um urso dance, é necessário muito sofrimento. Dentre os meios de condicionamento estão a privação de alimentos, a chibata, o choque elétrico, a chapa quente, o alicate para retirar garras e presas. Tendo passado por várias sessões de tortura, o animal entra em cena e faz o "espetáculo". E isso é a ponta do iceberg. O assunto é imenso, as provas contundentes.

2) Sendo os circos estruturas itinerantes, o transporte e a hospedagem de animais costuma sempre ser um problema de difícil solução. O dia-a-dia dos animais resume-se a nada menos que passar enjaulado em celas que precariamente possibilitam que se virem. Animais que em liberdade caminham entre 30 e 40 kilômetros por dia, interagem entre si e com outras espécies, em geral sucumbem emocionalmente frente a uma rotina de prisão perpétua, e freqüentemente sob privação de alimentos.

3) Uma das maneiras de os animais apresentarem baixo risco é tirar-lhes as garras e as presas (muitas vezes sem sequer procedimentos cirúrgicos adequados ou anestesia). Isso contribui também para que ele não venha auto-flagelar-se, já que um traço comportamental freqüente é este (o animal se deprime, se auto-flagela e/ou deixa de comer, podendo vir a morrer). Mesmo tudo isso posto, vez por outra ouve-se falar de algum incidente trágico de animais que escaparam aqui ou ali e fizeram isso ou aquilo.

Ampliando a discussão para o campo da ética das relações entre homem e meio ambiente, há que se destacar que este debate sobre os animais - não somente no caso dos circos, mas também sobre os rodeios, as rinhas, os centros de controle de zoonoses, etc. - aponta para uma mudança social em curso. Atribui-se a Ghandi a seguinte máxima: "A riqueza de uma nação é medida pela maneira como seus animais são tratados." Quem sabe não estejamos nós, no Ocidente, após extinguir centenas de espécies, entendendo o que de fato isso quer dizer. Entendendo talvez que a Natureza não está inteiramente à nossa disposição; que os animais compartilham conosco, por direito e não somente em tese, desse paraíso que é a Terra; entendendo que cabe a nós, enfim, cumprirmos racionalmente com a existência que nos cabe através de uma interação positiva e agregadora, jamais destrutiva, com o meio ambiente e com estes seres magníficos que são os animais; entendendo que temos muito mais a aprender com eles do que a lhes ensinar. E, vejam vocês, eis uma verdade que o circo, o parque de diversões, a escola ou a televisão, nunca ensinaram


 

VÍTIMAS DO ESPETÁCULO

Revita de Fato, Janeiro de 2003

Clique na imagem para ler a reportagem completa

MORRE UM DOS LEÕES ABANDONADOS EM SUMARÉ
Fonte. Lista DA-defesa dos animais
http://br.groups.yahoo.com/group/defesa-animais/

Os três leões abandonados em Sumaré foram levados ao Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos, onde vivem outros animais de circos que sofreram maus tratos. Um deles não resistiu, pois estava muito debilitado, vindo a falecer no dia 25 de Janeiro de 2003

 

 

CIRCO GARCIA ENCERRA ATIVIDADES


Para ver reportagem completa do Jornal Extra de Janeiro de 2003 clique aqui

SANTUÁRIO TENTA REABILITAR LEÕES DE SUMARÉ
Jornal Correio Popular, Campinas,10/01/03

Clique na imagem para ler a matéria

 

CIRQUE DU SOLEIL DIVERTE E ENCANTA SEM ANIMAIS
Yahoo Notícias
Sexta-Feira, 10 de Janeiro, 01:48 PM

Por Paul Majendie

LONDRES (Reuters) - Esqueça os tigres, elefantes e ursos dançantes. O Cirque du Soleil nunca irá excursionar pelo mundo com animais em sua trupe."Não concordamos com a forma que os animais são vestidos e fazem seus truques. Preferimos dar emprego a seres humanos", disse Pierre Parisien, membro da trupe do Quebec que inspirou um renascimento do circo mundo afora."Eles são animais, não artistas. Eles deveriam estar na selva", disse o diretor artístico da trupe do show Saltimbanco, em entrevista à Reuters depois da abertura em Londres esta semana.

"Não concordamos com o jeito que os animais são treinados e não estou bem certo se o lugar de um elefante ou de um tigre é ficar enjaulado metade da vida e se apresentar em todo o mundo", disse ele. "Nunca teremos animais em nossas apresentações."

O Cirque du Soleil foi fundado em 1984 pelo acordeonista e comedor de fogo quebecois Guy Laliberté como uma mistura de números de circo e entretenimento de rua. Ao longo das duas últimas décadas, o Soleil transformou-se em um império de entretenimento e deu ao circo um novo sopro de vida.

O Cirque du Soleil tem agora 2.400 empregados e 500 artistas de mais de 40 países. Seus shows foram exibidos em 130 cidades por cerca de 33 milhões de espectadores. O circo tem teatros permanentes em Montreal, na Walt Disney World da Flórida e em dois cassinos de Las Vegas. No momento, apresenta-se em oito shows em dois continentes. Todos os finais de semana, cerca de 60 mil pessoas assistem às peripécias do Cirque du Soleil mundo afora.

"Tenho muito orgulho de ser parte desta aventura -- e continua sendo uma aventura", disse Parisien. "O circo está muito mais saudável do que antes, porque as pessoas precisam sonhar e ter esperança -- e é disso que falamos."

SANTUÁRIO ECOLÓGICO ADOTA LEÕES ABANDONADOS POR CIRCO
Correio Popular, 7.1.2003

 

O Rancho dos Gnomos, santuário ecológico situado em Cotia administrado por uma organização não-governamental (ONG), recebeu os três leões (um macho e duas fêmeas) deixados numa área pública de Sumaré pelo Circo de Romenia. O acerto foi feito durante a tarde de ontem entre a ONG, a Polícia Ambiental, o Ministério Público, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e os administradores do santuário. A transferência foi feita durante a noite para diminuir o estresse dos animais. Toda negociação para transferência dos leões para o Rancho dos Gnomos foi intermediada pelo presidente da União Protetora dos Animais (Upa), Feliciano Nahimy Filho que acompanhou o caso até seu desfecho para garantir que os animais estariam bem instalados.

A ONG de Cotia, que abriga animais abandonados e mutilados, concordou em receber os três leões, após a apreensão formal dos felinos pela Polícia Ambiental. A Prefeitura de Sumaré encaminhou oficio ao comando da Polícia Ambiental em Campinas solicitando a apreensão e encaminhando os animais ao Rancho.

Em entrevista à Agência Anhangüera de Notícias na semana passada, o proprietário do circo, Mário Stankovich, negou que tivesse abandonado os animais e afirmou que pretendia doá-los à cidade por ter interrompido as atividades do circo. No período, ele se encarregou de alimentar os bichos e manter um vigia no local para prevenir acidentes. (Delma Medeiros e Johnny Inselsperger/ Da Agência Anhangüera)

 


CIRCO GARCIA DESCE EM DEFINITIVO SUAS LONAS

Campinas - Terça-Feira, 07 de Janeiro de 2003 - http://www.cpopular.com.br - Ano V

Sucessivas crises financeiras culminaram no encerramento das atividades do
circo mais antigo do país, que foi fundado em campinas
RogérioVerzignasse
Do Correio Popular
rogerio@cpopular.com.br

As cortinas do espetáculo se fecharam. Para sempre. Atolado em dívidas que chegam à casa dos R$ 800 mil, o Circo Garcia, o mais antigo do Brasil, encerrou as suas atividades. Fundada em Campinas, em 1928, a companhia circense chegou a figurar, na década de 70, entre as quatro maiores do mundo.

Seu fundador foi Antolim Garcia, paulistano, filho de imigrantes espanhóis, que conduziu o Circo Garcia ao sucesso no Exterior. O apogeu aconteceu entre 1954 e 1964, quando os espetáculos, com cinco lonas e cerca de 200 artistas contratados, viajaram por 72 países do mundo.

Desde a década de 80, o Garcia enfrentou crises financeiras sucessivas. A arte circense já encarava a concorrência da televisão, que passou a oferecer diversão sem que as pessoas precisassem sair de casa. Muitas lonas foram baixadas, no Brasil inteiro. Mas a instabilidade econômica atual foi decisiva. A alta do dólar tornou inviável o pagamento de artistas internacionais, com remunerações atreladas à moeda norte-americana. O Garcia chegou a pagar US$ 2,7 mil por semana a trapezistas mexicanos. Quase toda a dívida atual é referente a salários atrasados. Além disso, diversas leis passaram a proibir, em determinados municípios, a presença de animais no picadeiro. E, para o Garcia, não existem espetáculos sem animais. Era um dos únicos circos do mundo onde era realizada a procriação deles.

Mas alguns acontecimentos marcaram, de maneira particular, a derrocada do Garcia. Antolim morreu em 1987. Desde aquele ano, o grupo era administrado por sua mulher, Carola Boets, e pelo filho dele, Rolando Garcia, que faleceu em setembro do ano passado. “Sem meu enteado, fiquei muito sozinha”, afirma Carola. “Aqui nós estávamos empatando dinheiro”. Além de Rolando, morreram desde o 2000 os outros dois filhos de Antolim, Ruth e Romero. A madrasta Carlota ficou desamparada. Hoje ela passa os dias olhando velhas fotografias e álbuns montados com recortes de jornais estrangeiros. São reportagens elogiosas ao circo. E, ao lado das pastas, fica o cinzeiro, lotado de bitucas de Carlton, que ela fuma sem parar.

A última apresentação no dia 29 de dezembro, aconteceu o último espetáculo do Garcia, que estava montado na Avenida Guarapiranga, região do Santo Amaro, Zonal Sul paulistana. Sinal cruel dos tempos. Só 280 pessoas compareceram ao espetáculo, e se espalharam pela arquibancada construída para 3.500 espectadores. A arrecadação, lastima Carola, não foi suficiente nem para pagar os R$ 300,00 gastos com a manutenção dos geradores em uma noite de espetáculo. Agora, todos os 50 artistas estão desempregados. Eles começam a deixar hoje o terreno da Avenida Guarapiranga, à procura de emprego em outras companhias. E daquela antiga trupe, com 200 artistas, só sobrou um estrangeiro: um mexicano, domador de tigres.

Outra preocupação da proprietária do espólio são os animais. Os 21 chimpanzés, segundo Carola, têm lugar para ficar, o sítio de uma amiga. Mas há quatro tigres e dois elefantes com o destino incerto. Como os zoológicos estão lotados, e nenhum outro circo está disposto a investir em atrações cada dia mais dificultadas pelas leis, ela pensa em vendê-los para o Exterior. Seria uma forma, diz, de quitar algumas dívidas. Seu patrimônio particular em nada lembra o verdadeiro império construído por Antolim. Desde a década de 80, quando a crise circense ficou mais séria, ela foi vendendo equipamentos e imóveis comprados pelo marido, com quem ela viveu durante 33 anos. Hoje ela só possui um apartamento em São Paulo.

 

LEÕES ABANDONADOS EM PRAÇA PODERÃO GANHAR NOVO LAR
Jornal O Estado De São Paulo, 6-01-2003
Silvana Guaiume (O ESTADÃO)

Campinas, SP - A União Protetora dos Animais (UPA) da região de Campinas, no interior paulista, irá solicitar nesta segunda-feira ao Ministério Público (MP) de Sumaré (SP) a apreensão, por maus tratos, de três leões que estão abandonados em uma praça de lazer no bairro Parque Amizade, dentro de duas jaulas. O presidente da UPA-Campinas, Feliciano Nahimy Filho, disse que há uma instituição interessada em obter a guarda dos bichos, desde que seja respeitada a burocracia.

Segundo Nahimy Filho, a apreensão é necessária para que os leões possam ser legalmente doados à entidade. Ele não quis revelar o nome da instituição a pedido do proprietário. Mas afirmou tratar-se de um lugar adequado, no Estado de São Paulo, para onde são encaminhados animais selvagens e silvestres apreendidos por maus tratos.

Os leões foram abandonados há cerca de um mês pelo proprietário do Circo da Romênia, Mário Stankovich. Ele justificou dizendo que o circo deixou de operar temporariamente e não tinha para onde levar os bichos. Foi cogitada a possibilidade de os animais serem mantidos no minizoológico de Sumaré. Mas Nahimy Filho disse que essa hipótese é pouco provável.

De acordo com ele, seria necessário construir uma área específica para os leões e contratar profissionais especializados para cuidar deles. “A prefeitura não tem verbas para isso. É preciso ainda manter os bichos. Cada um consome dez quilos de carne por dia”, afirmou. Nahimy Filho disse que os animais estão sendo alimentados apenas a cada dois dias. Um funcionário do circo fica de plantão perto das duas jaulas onde estão os leões para evitar que eles fujam.

 

 

CIRCO ABANDONA LEÕES EM SUMARÉ
Jornal da Tarde 5-01-2003


As leoas Susi e Júlia, abandonadas em Sumaré:
polêmica na cidade

Enjaulados, os animais foram largados num campo de futebol há um mês. Agora, os moradores querem que eles fiquem na cidade, mas o prefeito, não.

"Respeitável público, o circo chegou"... Há dois meses o dono do Circo De Romênio, Mário Constantino, de 63 anos, anunciava a sua chegada à cidade de Sumaré, a 125 quilômetros da capital. Uma das atrações do circo, o show com seus três únicos animais (dois leões e uma leoa), não foi permitida pelas autoridades.

Mesmo com o impecilho de Julia, Suzi e Vargas - o nome dos leões - o circo foi montado em um campo de futebol, no Jardim Parque da Amizade. O circo fez algumas apresentações, mas, para algumas pessoas, como o estudante Rafael Endrigo Fernandes Vieira, de 11 anos, ficava a pergunta: "Cadê as feras?" "Eu nunca vi um leão e eles anunciavam logo três e fiquei feliz. Fui a uma das apresentações e não vi nenhum bicho." O motivo apareceu pouco tempo depois. O prefeito de Sumaré, Dirceu Dalbem, do PPS, tinha receio de animais como estes na cidade e proibiu que fossem apresentados ao público. Depois disso venceu o contrato de uso do terreno - que era de um mês - e o dono teve de abaixar as tendas e mudar-se para um outro terreno a três quarteirões do campo. Os leões ficaram no campo de futebol.

Durante o mês de dezembro, as três feras ficaram em duas jaulas diferentes - as duas fêmeas em uma e, isolado em outra, o macho - tudo sob o olhar de Pedro Alvares Nascimento, de 43 anos, que trata dos animais. "Eles comem duas vezes ao dia, sendo que a primeira refeição é às 13h e depois às 18h. Uma coisa é certa, eles comem melhor que eu", disse Nascimento.

Parte do dinheiro para a compra do alimento vem da microempresária Silvana Serra Fagiolo, de 37 anos, que doou 120 quilos de frango. "Eu ajudo porque gostaria que os leões fossem levados ao zoológico de Sumaré, que só tem aves."

Mesmo sem a presença do circo, as feras são motivo de olhares curiosos e despertam, em quem passa perto, sentimentos diversos, do medo à tristeza. "Medo eu não tenho, pois os leões são bem-cuidados. Só peço que não maltratem os bichos e decidam seu destino", disse o cabeleireiro João Pereira dos Santos, de 45 anos.

A preocupação do cabeleireiro pode terminar ainda hoje. Os leões devem ser levados por um fazendeiro de Itupeva, segundo confirmou Constantino, a uma de suas fazenda no Estado de Tocantins.

 


LEIS QUE PROÍBEM ANIMAIS IRRITAM ARTISTAS DO RAMO

Jornal Diário de São Paulo, 05/01/2003

 

O fim do Garcia preocupou os donos de circos tradicionais. Para eles, o principal motivo do fechamento são as lei que vem sendo criadas em várias cidades brasileiras, proibindo o uso de animais. Eles acham que os circos correm risco, caso nada seja feito para mudar o quadro. "Estamos tentando junto à Câmara e o Senado criar uma lei nacional que regulamente isso", frisou José Leite, presidente da Associação Brasileira de Circos. "Quem perde com o fechamento do circo é a arte. O público gosta dos animais", afirma Beto Carreiro.

Outros donos de circo culpam a ONG americana Aliança Internacional de fazer forte campanha contra a permanência de animais. "O Cirque du Soleil não tem animais, mas o Governo do Canadá dá US$ 20 milhões por ano", diz Marlon Stankowich, dono da lona que leva seu sobrenome. "A Aliança chega nos circos ameaçando", emenda Beto Pinheiro, dono do Di Napoli.

A americana Ila Franco, presidente da Aliança Internacional, explica que a situação dos animais dentro desses circos é dramática. Segundo ela, nenhum deles respeita as leis federais brasileiras referentes ao trato de animais exóticos. Além de maus-tratos, Ila sustenta que eles vivem em locais inadequados e com estresse.

 

LISBOA - PORTUGAL
CIRCO ATLAS - ATIVISTAS AGREDIDOS

"Activistas da ANIMAL selvaticamente agredidos à porta do Circo Atlas O Circo Atlas tem sido denunciado como um dos circos com animais em Portugal que mais violento se revela no modo como trata e treina os seus animais, bem como no modo como os mantém alojados. Estas denúncias remontam já a 1992 e, novamente, a 1998, quando alguns jornais britânicos noticiaram casos de abuso e maus tratos de animais neste circo português. A organização britânica CAPS - Captive Animal´s Protection Society interveio algum tempo depois, após várias denúncias de turistas estrangeiros que estiveram de férias no Algarve terem testemunhado vários casos deste tipo e de extrema gravidade precisamente no Circo Atlas, numa altura de Verão em que este esteve na região algarvia.

Estando nós presentemente em época de circos, por altura do Natal, impunha-se, naquela que é uma luta global contra os circos com animais, uma acção relativamente ao Circo Atlas, que tem estado em Lisboa, junto ao C.C. Colombo, desde o início de Dezembro. Hoje, dia 4 de Janeiro, um grupo de 12 activistas que colaboram com a ANIMAL - Lisboa dirigiu-se, cerca das 15h, para as imediações deste circo, onde deu início à distribuição de alguns panfletos informativos acerca do que realmente se passa nos circos com animais relativamente à brutalização a que estes são permanentemente submetidos. Estando neste grupo como activista e Director da ANIMAL - Lisboa, dirigi-me aos dois agentes da PSP presentes no local (um agente e uma agente), e informei-os de que este grupo de pessoas se preparava para, no pleno exercício dos seus direitos, informar as pessoas, nomeadamente as que se dirigiam para o espectáculo de circo, dos problemas que os animais que são vítimas destes enfrentam. Não se tratava de uma manifestação e dificilmente poderia ser considerada uma acção de protesto propriamente dito. Não havia cartazes nem palavras de ordem. Apenas panfletos. No espírito da mais serena cordialidade, os agentes policiais identificaram-me como promotor da acção, enquanto lhes explicacava em que traços esta decorreria.

Enquanto estava a ser identificado, o Director do Circo Atlas, Walter Dias, aproxima-se de mim e dos dois agentes e, num tom agressivamente ameaçador, diz-lhe que nos queria a 50 metros da entrada do circo (não estávamos na entrada do circo), conforme um qualquer regulamento que ele disse haver supostamente estipularia (ficou por especificar de qual se trataria), ou então ele chamaria o seu pessoal da segurança "para nos varrer dali", como disse. O agente da PSP disse-me que não me preocupasse e que a nossa segurança e liberdade estavam garantidas. Porém, sem que eu ou este o pudéssemos prever, cinco a sete minutos depois, um grupo de 8 a 10 indivíduos, liderado pelo Director do Circo, pelo seu cunhado e pelo domador de leões, cada qual com uma imponência física mais impressionante do que o outro, desceu as escadas da entrada do circo para começar a agredir todos os activistas presentes.

Sem sequer respeitarem senhoras e passando literalmente por cima dos dois agentes policiais presentes no local, este grupo de "artistas" circenses e trabalhadores do circo distribuiu violentos empurrões por todos nós, tendo inclusivamente apertado brutalmente o pescoço a um dos activistas, e - o que foi ainda mais grave - agredido um outro activista (que estava a tentar filmar as agressões) com um murro na face e vários pontapés, com os quais lhe conseguiram partir a câmara de vídeo.

Ao pedido de reforços dos polícias presentes, que também não escaparam às agressões, respondeu de forma até bastante rápida um contingente numeroso de outros agentes policiais, que, já quando os ânimos estavam mais controlados e a selvageria bastante concretizada, conseguiram, ainda assim, impor alguma ordem. O activista mais duramente violentado precisou de receber tratamento hospitalar, o que aconteceu no Hospital de Santa Maria, após o qual voltou à Esquadra da PSP de Carnide para apresentar queixa contra o agressor - o domador de leões -, que, enquanto foi retido para identificação, ficou calmamente a assistir à televisão no departamento policial, mesmo depois de ter protagonizado um grave atentado contra os mais elementares direitos dos activistas que tinha agredido.

Em contacto com o Presidente da ANIMAL, conseguimos chamar uma equipa de reportagem da SIC, que só já conseguiu fazer a reportagem no rescaldo dos acontecimentos, mas ainda a tempo de registar o que se tinha sucedido. A peça está a ser exibida na SIC Notícias e é de esperar que seja exibida no "Primeiro Jornal" da SIC, amanhã, às 13h. Pelo comportamento dos indivíduos ligados ao Circo Atlas neste lamentável episódio, é possível imaginar que estes tratarão os animais que têm sob o seu domínio de uma forma provavelmente mais violenta daquela segundo a qual nos trataram a nós. É que os animais não têm, ainda assim, polícia que os defenda, não têm voz para se queixar, nem podem propriamente fugir, pois estão presos em jaulas, enquanto nós tivémos algumas (embora não muitas) oportunidades de fugir às investidas daquelas pessoas. Pelas investigações e imagens que têm sido obtidas junto de tantos outros circos que têm animais, concluímos que esta é uma prática generalizada nestes espectáculos, em que a agressividade é um elemento incontornável da postura destas pessoas.

A ANIMAL agradece, em primeiro lugar, aos activistas presentes e à coragem e determinação que demonstraram, ao manterem-se na acção em que decidiram participar, mesmo sob fortes agressões, mais do que apenas ameaças. A ANIMAL destaca, em segundo lugar, que esta foi uma de muitas acções que estão agora a começar relativamente aos circos com animais, e que, por muitas ameaças e agressões que se concretizem, não acabarão enquanto o martírio destes animais não tiver um fim, ou seja, enquanto a utilização de animais em circos não for proibida. A ANIMAL apela, em terceiro lugar, para que haja um boicote total aos circos com animais, quer porque estes são actividades que assentam na exploração francamente abusiva e no exercício de violência extrema contra animais, quer porque são espectáculos anti-pedagógicos, quer ainda porque sustentam e despertam o que há de pior na conduta das pessoas envolvidas neste domínio. Por último, a ANIMAL garante que persistirá em prosseguir com todas as batalhas da defesa ética dos animais nas quais está firmemente empenhada, declarando-se absolutamente decidida a fazer com que os animais sejam cada vez mais respeitados, tal como eticamente se impõe. E, para isso, esta organização conta com a colaboração de todas as pessoas que partilhem estes princípios e objectivos. " Miguel Moutinho (Director da ANIMAL - Lisboa)

 

 

LEÕES ABANDONADOS EM SUMARÉ (SP)
Folha de S.Paulo São Paulo 04/01/2003

Três leões foram abandonados pelo dono do circo Stankowitch, Mário Stankowitch, dentro de uma jaula, numa praça no centro de Sumaré (120 km de SP). A praça foi isolada depois da denúncia de moradores, na quinta-feira. A polícia ambiental obrigou o proprietário do circo a encontrar uma solução segura até segunda-feira para o futuro de Nely, Suzi e Vargas, os três animais abandonados.

Stankowitch alega que o circo deixou de funcionar e não sabia mais o que fazer com os leões. No momento, um abrigo de animais se comprometeu a cuidar dos leões até que seja encontrada uma solução para o caso.


 

LEÕES ABANDONADOS POR CIRCO GERAM PROTESTOS EM SUMARÉ
Correio Popular 03.01.2003
Delma Medeiros, da Agência Anhangüera

Três leões deixados para trás por um circo estão mobilizando a população dos bairros Parque Amizade e Santa Elisa, em Sumaré. O Circo de Romeni ficou instalado por dois meses numa área pública cedida à Associação Amigos de Bairro do Parque Amizade, mas foi desmontado há cerca de 15 dias. Apenas os leões - duas fêmeas e um macho - continuam no local, em jaulas com menos de dois metros quadrado, sem qualquer isolamento, o que preocupa a população, pelo abandono em si e pelo risco que os leões podem representar às pessoas, crianças especialmente.

O proprietário do circo, Mário Stankowich, diz que as atividades foram interrompidas pelos próximos três meses e que pretende fazer a doação dos animais para a Prefeitura de Sumaré. O problema é que as repartições municipais estão em recesso até a próxima segunda-feira, e nesse período o destino dos animais permanece incerto. Stankowich afirmou que alimenta os leões e mantém um funcionário 24h por dia de vigia. A informação, no entanto, é contestada por moradores das imediações. "Esses leões precisam ser levados para um local maior e ser melhor tratados", disse Edson Lopes, morador das imediações. Segundo ele, um funcionário do circo vai ao local alimentar os animais, mas não fica ninguém de vigia para evitar a aproximação de crianças.

"Os animais estão estressados e doentes, parece que estão morrendo", disse um morador que preferiu não se identificar. Sua declaração causou indignação no proprietário do circo, que iniciou com o morador uma discussão tão acalorada que a Polícia Militar foi acionada para evitar um confronto físico.

Feliciano Nahimy Filho, presidente da União Protetora dos Animais (UPA), visitou o local e contou que o proprietário pediu prazo até segunda-feira (quando a Prefeitura retoma as atividades) para solucionar o impasse. Segundo Nahimy, Stankowich disse que alimenta os animais a cada dois dias para que eles não engordem, porque isso atrapalha a atuação circense. "Isso é desculpa. Os animais têm que comer todos os dias", afirmou, lembrando que famintos os leões representam uma ameaça ainda maior.

Lição infantil

"Quem quer ter leão tem que cuidar. Eles precisam comer todos os dias", afirmou André Pereira, de 7 anos. A mãe, Maria Pereira, contou que o menino pede que ela compre carne para alimentar os animais quando os escuta rugindo durante a noite. Segundo os moradores das imediações, além do mau cheiro, ninguém consegue dormir direito porque os animais rugem a noite toda. Plínio Simões de Brito, que mora a uma quadra da área, disse que um amigo viu os funcionários do circo dando um cachorro para o leão comer. "Essa situação não pode continuar", afirmou. A Polícia Florestal de Americana foi acionada e deveria inspecionar o local ontem, mas não havia apresentado relatório até 18h. Wilson Lima, gerente executivo do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Estado de São Paulo, disse que a fiscalização sobre as condições em que os animais são mantidos cabe à Prefeitura, que é quem autoriza a instalação do circo. Lima afirmou que o abandono dos animais é crime e que a solução deve ser buscada com a administração municipal.